CCI recebe oficina fotográfica para surdos

Oficina de FotoLibras. Crédito Vládia Lim

Oficina de FotoLibras. Crédito Vládia Lim

Dedicado à promoção da fotografia contemporânea, o Capibaribe Centro da Imagem (CCI), espaço comandado pelo fotógrafo Chico Barros e por Germana Valadares, na Rua da Aurora, recebe, de 11 a 15 de abril, das 14h às 18h, a Oficina de FotoLibras, um projeto de fotografia participativa voltado para jovens surdos e intérpretes de libras que tem como objetivo utilizar a fotografia como meio de expressão e comunicação, aumentando a visibilidade e a inclusão da comunidade surda na sociedade. As vagas para o curso, que são limitadas, já estão abertas e podem ser feitas através do email: contato@cci.art.br ou pelo telefone 81. 3032.2500.

A oficina será ministrada pela fotógrafa e educadora Vládia Lima e pela multiplicadora Tatiana Martins, que é surda e participou da primeira turma do FotoLibras, ainda em 2007, quando se envolveu fortemente com o projeto e desde então atua como coordenadora e multiplicadora. A ideia inicial do programa veio de Rachel Ellis, co-fundadora do FotoLibras, que queria trabalhar de alguma maneira a fotografia para o público surdo. O conceituado fotógrafo Eduardo Queiroga também integra o projeto. ”Rachel entrou em contato comigo, Mateus Sá e Vládia Lima para explicar a ideia, ainda em 2006. Então, nós quatro passamos a nos reunir com integrantes da Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) e o desenho do FotoLibras, inclusive o nome, surgiu desses encontros”, explica ele.

Oficina de FotoLibras. Crédito Vládia Lima

Oficina de FotoLibras. Crédito Vládia Lima

Vládia e Tatiana acreditam na fotografia participativa como uma forma de dar voz a indivíduos com pouca visibilidade. “Sabemos que a principal barreira enfrentada pelos surdos é a comunicacional, é viver numa sociedade que não está preparada para se comunicar com eles. Então o fio condutor da oficina é esse contato, é aprender a se expressar através da fotografia”, explicam as coordenadoras, ressaltando que o empoderamento desses indivíduos se reflete, inclusive, em questões de cidadania.

Na oficina, que une duas linguagens: libras e fotografia, a metodologia utilizada envolve dinâmicas, confecção de um modelo de câmera escura, sensibilização do olhar, informações sobre a prática fotográfica e a apresentação de um glossário de sinais em libras, criado por surdos que passaram pelo projeto, sobre questões técnicas de fotografia.

 

 

Conheça o projeto

???????????????????????????????Segundo o grupo, no início, o principal objetivo do projeto era utilizar as potencialidades da fotografia na busca pela quebra das barreiras comunicacionais entre surdos e ouvintes. Assim, a primeira ação foi um curso de longa duração promovido em 2007, com surdos de diversas cidades da Região Metropolitana do Recife, composto por três etapas: módulo básico, avançado e a formação de multiplicadores.

“A ideia da multiplicação é essencial para a continuidade do projeto. Além de levar nossas ações para mais pessoas, os multiplicadores também tornam possível que novas ações sejam desenvolvidas de surdos para surdos”, diz Vládia. Logo após a primeira turma, todas as oficinas realizadas pelo grupo passaram a contar com a participação ativa de multiplicadores na condução das atividades. De 2007 para cá, o grupo realizou diversas atividades envolvendo centenas de surdos em Pernambuco e em outros estados, participando, inclusive, de debates e encontros tanto no circuito fotográfico como no da cultura surda.

Para tornar o projeto mais acessível, o grupo desenvolveu o Guia FotoLibras, em versão impressa e digital, com toda a metodologia utilizada nas oficinas, o que possibilita novas ações. “Buscamos reunir um grande volume de informações que vão desde o planejamento e elaboração de projetos até a execução das atividades e etapas posteriores”, explica Vládia, ressaltando que o guia não serve apenas para projetos voltados ao público surdo. “Atende diversos outros perfis, sem dúvidas”.

Várias outras ações vêm sendo desenvolvidas pelo grupo, como o Foto Escola, que já teve duas edições e acontece em escolas públicas de referência para a comunidade surda, e o AnimaLibras, também já com duas edições realizadas e composto por oficinas de Stop Motion, uma técnica de animação produzida a partir de fotografias.Esse projeto se destacou no meio cultural de Pernambuco por ser o primeiro cuja idealizadora e coordenadora é uma surda: Tatiana Martins.

Em 2012, o grupo realizou a exposição “Por Contato”, desenhada a partir da noção do contato entre as culturas surdas e ouvintes, no Centro Cultural Correios do Recife. Agora a mostra será levada para o Museu de Arte do Rio (MAR), no Rio de Janeiro, em sua primeira itinerância.

 

 

Serviço – Oficina FotoLibras

Onde: CCI Capibaribe Centro da Imagem (Rua da Aurora 533, Térreo – Recife)

Quando: De 11 a 15 de abril

Horário: 14h às 18h

Informações e inscrições:contato@cci.art.br / 81. 3032.2500 / 81. 98132-3231 (whastapp)